
Cinderela
— O que você achou?
— Lindo! Nunca tinha visto igual.
— Sério?
— Sério!
— Por quê?
— Não sei… A transparência, talvez.
— Você nunca teve um assim?!
— Claro que não! Eles são raros.
— Raros…
— Raros!
— Sei que existem diferentes, mas não pensei que fossem raros.
— Pois são.
— Você só gostou da transparência?
— Não. Tem esse brilho intenso, ofuscante… Raro.
— Ah! O brilho também é raro?
— É. Muito!
— Começo a achar que são os seus olhos…
— É maravilhoso!
— De verdade?
— De verdade.
— É seu. É para você.
— Nossa!
— Ficou emocionada?
— Surpresa.
— Não entendi por quê.
— É muito… Muito…
— Não! É perfeito. Sob medida.
— Você acha?
— Só existe por você… É seu.
— Mas… é tão lindo!
— Tanto quanto você.
— Eu não mereço.
— E precisa?
— Não?!
— Ele só existe, só é valioso, só é transparente, porque é seu.
— Aiiii…
— Porque você é o encaixe perfeito.
— Meu coração…
— Posso colocar?
— Pode.
— Vamos?
— Aonde?
— Ao baile.
— Que baile? Tá maluco?
— Você não está ouvindo?
— Ouvindo o quê?
— A carruagem! Olha!
— Você é maluco!
— Seja também!
— Onde vai ser o baile?
— Onde quisermos. Onde estivermos.
— O que vestirei?
— Vestiremos o amor e estaremos livres.
— Livres.
— Sim. Vestidos do amor mais perfeito e valioso, que só nós podemos ver.
— Livres e descalços.
— Sob chuva ou sol.
— Sem proteção.
— Meu amor te protege e o seu me orienta.
— Feito por você. Feito para você.
— Feito por você. Feito para você.
— Sem sapatinhos de cristal.
























Nossa! Que final (ou começo) lindo. Que diálogo leve, fluido…Gostei muito.